Flamengo de todos os deuses, Flamengo do povo em paz

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Nenhum ingresso é tão bem pago quanto o do torcedor rubro-negro que vai a um jogo do Flamengo. Talvez, ele seja o único que pode dizer que paga por dois espetáculos simultâneos: um no campo e outro na arquibancada, sendo que, no segundo, é ele o protagonista. Uma relação tão intensa que faz confundir se o Flamengo está em campo e representado na arquibancada, ou se está na arquibancada e representado em campo. É algo único.

Se um dia fosse presidente do Brasil, a capital do país voltaria a ser o Rio de Janeiro. Os jogos do Flamengo aconteceriam em praça pública, o Maracanã aberto, para que mais pessoas pudessem saber do que falo. Iria além. Todos os patrões seriam obrigados a dar folgas aos seus empregados, para que eles pudessem assistir aos jogos. Melhor: as datas das partidas seriam feriados nacionais. Quando o Flamengo estiver em campo, o resto há de ser só o resto, com o perdão das instituições religiosas.

Nestes dias, o Rio seria a capital da diversidade. Deus trocaria passes com Alá, que daria assistência para Buda marcar e comemorar com Ogum, deixando de lado qualquer diferença ou receio. No banco, com um boné sobre a cabeça, São Judas Tadeu esboçaria uma breve comemoração, com o sorriso de quem mais uma vez cumpriu bem o seu papel.

Na torcida, as bandeiras levantadas estampariam os rostos dos deuses rubro-negros, todos personificados, unidos pela fé e pelo amor de milhões. Até quem não acredita teria que se render. Pelo menos até o dia seguinte, o povo esqueceria de qualquer crise: política, financeira, amorosa ou existencial. Pelo menos até o dia seguinte, o povo estaria feliz. Em paz. A paz de quem já viveu uma vitória do Flamengo no Maracanã.

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Saudações Rubro-Negras!

Matheus Berriel

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