O meu Flamengo é vermelho e preto

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size_810_16_9_Mao-segura-camisa-do-FlamenO meu Flamengo não é azul. Azul é a ousadia dos que acreditam que os números das finanças são suficientes para alimentarem a paixão de uma nação, esquecendo-se que os votos na Taça Salutaris, que garantiram o status de “Mais Querido do Brasil”, foram obtidos na malandragem.

O meu Flamengo não é verde. Verde é a esperança dos milhões de torcedores que, em todos os anos, vivem a ilusão de qualquer dia estarem na Libertadores, enquanto o único título está prestes a completar seu 35º aniversário.

O meu Flamengo não é branco. Branca é a lista de vitórias em jogos decisivos contra o Vasco em 2015. O meu Flamengo é vermelho, do sangue jorrado das amígdalas de Geraldo Assoviador, e preto, do luto pelo eterno Cláudio Coutinho, dois dos que experimentaram a sensação de defender as cores do Flamengo até o fim, em todas as circunstâncias.

O meu Flamengo não é o seu. Seu é o direito de idolatrar presidente, comparar dirigente a ídolos e comemorar votos em chapa como se comemorasse um gol, enquanto não brigar para não cair é um consolo para quem aprendeu a conviver com um Flamengo assim.

O seu Flamengo não é o meu. Meu é o Flamengo que, ao mesmo tempo, fez o Galo de Quintino ser Rei, e o galo de Minas um mero bobo da corte, ambos num Maracanã lotado como palco de diversão. Meu é o Flamengo que, quando não venceu, se deu a honra de não deixar de lutar. Seu é o Flamengo de hoje, que não ousa nem tentar.

Bob Marley dizia que “enquanto a cor da pele dos homens for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra”. Digo que enquanto a cor da chapa for mais importante que as cores da camisa, haverá caos na Gávea.

* Texto baseado no “Poema Crespo”, do jovem poeta Thiago Yuri, que faz alusão ao racismo.

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