Prancheta Histórica – Copa do Brasil 2006 – Empate e classificação no Mineirão

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Depois de vencer o Atlético Mineiro por 4×1 no Maracanã, o Flamengo foi a Belo Horizonte defender sua ampla vantagem pelo jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil. No dia 03 de maio de 2006, o rubro-negro segurou o empate sem gols com o Galo e passou às semifinais da competição, onde enfrentaria o emergente Ipatinga. A Prancheta Histórica do iFlamengoNews lembra detalhes  detalhes daquela partida.

Renato sofre falta de Rafael Miranda
Renato sofre falta de Rafael Miranda

Entre um jogo e outro contra o Atlético,/MG o Flamengo enfrentou o Internacional no Beira-Rio pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro, mas acabou derrotado por 1×0. A classificação serviu também para desviar um pouco o foco do fraco início no Brasileirão. Afinal de contas, foram duas derrotas nas três primeiras partidas. Já o Galo vinha bem na Série B. Havia vencido o CRB por 5×0 e era vice-líder, dois pontos atrás do Sport.

Estrutura tática

Waldemar Lemos montou mais uma vez o Flamengo com uma variação colocada em prática a cada perda ou retomada de bola rubro-negra. Quando tinha a posse de bola, usava um 4-3-1-2, com Léo como primeiro volante e desta vez Jonatas como homem mais avançado do meio-campo. Renato Abreu foi posicionado mais à esquerda pela maior entrega na marcação em comparação ao camisa 5. Sem a bola, Léo mais uma vez alinhava-se aos zagueiros e marcava um dos atacantes.

Time mais uma vez no 4-3-1-2 quando tinha a bola, mas com Jonatas como 'enganche'
Time mais uma vez no 4-3-1-2 quando tinha a bola, mas com Jonatas como ‘enganche’.

Sem Renato Silva, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, o contestado Fernando ganhou uma oportunidade na zaga. O jogador vivia má fase e era muito criticado pela torcida. Algo parecido com o que acontece com Wallace atualmente no elenco rubro-negro. O defensor cria da base, porém, não comprometeu, e, após um primeiro tempo irregular, foi bem na segunda etapa.

Já sem a bola, Léo virava 'zagueiro' e formava o trio defensivo com Angelim e Fernando
Já sem a bola, Léo virava ‘zagueiro’ e formava o trio defensivo com Angelim e Fernando.

O adversário

Assim como no jogo no Maracanã, Lori Sandri armou o time de Minas num 3-5-2. A diferença foi a escalação de Ramon como titular e a saída do volante Renan, o que logicamente tornou a equipe mais ofensiva. Adriano pegou a vaga de Vicente na ala esquerda. Era a tentativa de uma equipe mais insinuante e que precisava golear para se classificar.

Atlético novamente no 3-5-2. Mas com Marcinho e Ramon pelo meio do campo
Atlético novamente no 3-5-2, mas com Marcinho e Ramon pelo meio do campo.

O jogo

O Mineirão lotado e a necessidade de pelo menos três gols para se classificar forjaram a ideia de que o Galo pressionaria de forma muito intensa desde o início do jogo. Mas não foi o que aconteceu. O Flamengo se posicionou bem defensivamente e o time de Belo Horizonte apenas teve a posse de bola. Poucas possibilidades de gol foram criadas, o que deixou a equipe ainda mais ansiosa.

No primeiro tempo, foram apenas três finalizações do time da casa. Marcio Aráujo chutou cruzado com perigo aos nove minutos e Marcos aproveitou duas falhas de Fernando para cabecear livre dentro da área, mas a bola não tomou o rumo da meta defendida por Diego. Já o Flamengo chegou com perigo aos 21 minutos. Léo Moura lançou Vinicius Pacheco. O camisa 26 driblou o zagueiro dentro da área, mas chutou muito mal, desperdiçando chance clara de gol.

Flagra de Léo marcando na linha e zagueiros. Como o time marcava por encaixes individuais, percebe que ele e Angelim trocaram de lado para acompanhar os seus 'alvos', enquanto Fernando ficava na sobra
Léo, marcando na linha, e os zagueiros. Como o time marcava por encaixes individuais,  ele e Angelim trocaram de lado para acompanhar os seus ‘alvos’, enquanto Fernando ficava na sobra.

A partida em si teve nível técnico muito baixo. O Atlético não mostrava repertório de jogadas ofensivas e esbarrava na forte marcação do Flamengo, que variava entre um posicionamento em seu próprio campo ou um pouco mais adiantado. O Mais Querido quando recuperava a bola errava demais. Jônatas e Obina não estiveram em uma boa noite. Ao contrário de Junior e Léo Moura, este o melhor em campo.

No segundo tempo, o Galo pressionou bastante durante os dez primeiros minutos, mas só conseguiu assustar num chute de fora da área de Marcinho. O rubro-negro seguia errando demais na sua transição ofensiva e devolvia a bola ao adversário. Aos 21 minutos, o Fla saiu um pouco do marasmo em boa cobrança de falta do volante Junior. Bruno espalmou.

A função de Léo, restrita a parte defensiva, possibilitava que Léo Moura e Juan apoiassem simultaneamente e buscassem até mesmo jogadas pelo meio, como vemos neste frame
A função de Léo, restrita à parte defensiva, possibilitava que Léo Moura e Juan apoiassem simultaneamente e buscassem até mesmo jogadas pelo meio.

Aos 30 minutos os donos da casa tiveram a melhor chance do jogo, mas desperdiçaram de forma incrível. Após finalização do zagueiro Lima na trave, o centroavante Marinho, sem goleiro, cabeceou por cima do gol. Se a situação já estava muito difícil até aquele momento, o gol perdido sepultou de vez as chances de uma épica virada. O Flamengo sentiu-se mais confiante e, já com a classificação assegurada, dominou os últimos 15 minutos.

Faltando menos de dez minutos para acabar, Léo Moura foi ao fundo e cruzou para Vinícius Pacheco marcar. O trio de arbitragem, comandado pelo árbitro Carlos Eugênio Simon, acabou anulando equivocadamente o gol ao marcar impedimento inexistente. O lance arrefeceu o ímpeto de reclamação do Galo, que teve um gol também mal anulado na partida do Maracanã.

Ao final da partida, gritos de olé da torcida rubro-negra e muitas reclamações dos atleticanos direcionadas ao técnico Lori Sandri e ao meia Ramon, que quatro anos mais tarde vestiria a camisa rubro-negra. O Flamengo carimbava o passaporte para as semifinais e uma semana depois enfrentaria o Ipatinga no interior de Minas.

FICHA TÉCNICA – ATLÉTICO/MG 0 x 0 FLAMENGO:
Copa do Brasil – Jogo de volta das Quartas de Final
Data: 03 de maio de 2006
Estádio: Mineirão, em Belo Horizonte. Público: 44.746 pagantes
Árbitro: Carlos Eugênio Simon.

Escalações:
FLAMENGO – Diego; Leonardo Moura, Fernando, Ronaldo Angelim e Juan; Leo Oliveira, Junior, Jônatas e Renato Abreu; Vinicius Pacheco (Bruno Mezenga) e Obina (Deni). Tec: Waldemar Oliveira.
ATLÉTICO/MG – Bruno; Daniel Marques, Marcos e Lima; Marcio Araújo (Tony), Rafael Miranda, Marcinho, Ramon (Marcelo Pelé) e Adriano (Ari); Danilinho e Marinho. Tec: Lori Sandri.

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