Roupa nova, futebol velho

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Foto: Gilvan de Souza/Flamengo.

O Flamengo fez, talvez, contra o Santa Fé, no Maracanã vazio, sua melhor atuação em um primeiro tempo do conturbado início de temporada. Com menos de 15 minutos, houve um gol e pelo menos quatro chances claras de ampliar. Não seria nenhum exagero um placar de 3 a 0 antes do intervalo, visto que, mesmo nos momentos em que diminuiu o ritmo, o time rubro-negro seguiu controlando o jogo, muito em virtude dos erros infantis do time colombiano, principalmente os de seu goleiro. Porém, uma das máximas do esporte bretão é a de que “futebol é detalhe”. Numa falha individual de Diego, a atuação segura foi jogada por água abaixo. Aparentemente, uma fatalidade. Há quem diga, entretanto, que não ocorreu por acaso.

Não é de hoje que o Flamengo tem começado partidas melhor que o adversário, com chances de abrir boa vantagem desperdiçadas devido à falta de pontaria. Entra técnico, sai técnico, e as finalizações erradas seguem como o problema crônico mais nítido — superando até mesmo a carência nas laterais. O empate contra o Santa Fé, que não chegou a ter deixado o Fla em situação delicada na Libertadores, mas tornou o caminho para a classificação bem mais íngreme, foi mais uma prova de que o jogo só acaba depois de 90 minutos, e que só vence quem colocar mais bolas na rede. Parece óbvio, mas, às vezes, estes detalhes são esquecidos em análises relativistas.

Na estreia do novo uniforme, faltou ao Flamengo ser o Flamengo de outrora. Dentro de campo, as cores rubro-negras já não pesam como antigamente, embora ninguém tenha coragem de desafiar a história. Quis o destino reservar o erro crucial para Diego, jogador recebido nos braços da torcida, igualmente à atual gestão, mas que, da mesma forma que esta, representa um clube distante da sua essência. Um Flamengo rico em dinheiro, mas pobre de calor humano. Cheio de técnica, mas sem vibração. Almejando títulos, mas sem vontade de vencer. Parafraseando Zico, um Flamengo que, pelo medo de perder, perdeu a vontade de ganhar.

Sem testemunhas, mais um time amenizou sua crise buscando um bom resultado contra o Rubro-Negro sem identidade, tão frio quanto a noite de quarta-feira. E o motivo ninguém sabe, ninguém viu. No mundo do faz de conta interno, os ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam. Ao torcedor, resta a fé. Santa Fé. Quando desacreditado, o Flamengo costuma ser mais Flamengo. Ainda existem razões para acreditar, mesmo sem saber em quê.

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