Zico, o mais humano dos heróis

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Certa vez, vi uma charge onde um pequeno personagem perguntava ao pai se Zico existe. Eu, nascido em 1996, sete anos depois da aposentadoria de Arthur Antunes Coimbra, fiquei com aquela pergunta na cabeça. Torcedor do Flamengo desde o berço, cresci idolatrando o maior camisa 10 da Gávea sem nunca tê-lo visto jogar.

Refletindo sobre a charge, hoje, entendo que é um pouco fantasioso para uma criança ouvir falar de Zico. Na mais pura comparação, é como a história de um super-herói, que transformava a camisa rubro-negra em sua capa e fazia desta um manto. Um super-herói que tinha poderes nos pés, e com eles defendeu sua nação e conquistou o mundo

É improvável que exista uma criança que nunca tenha visto um desenho ou lido quadrinhos do Super-Homem, do Batman ou do Homem Aranha. Porém, há os predestinados a idolatrar um herói de carne e osso. Não é todo mundo que pode vestir a capa de seu herói desde pequeno e ir ao palco principal de suas batalhas, que continua verde, com listas e formas geométricas pintadas em branco e uma trave em cada lado.

No último sábado (09.07)*, eu pude ver o meu herói ao vivo pela primeira vez. Por cerca de uma hora e meia, virei criança outra vez. Agora para assistir um pouco das histórias que cresci fantasiando e que sempre tive certeza que eram reais. Ao meu lado, um encontro de gerações: adolescentes, adultos e idosos, todos com um herói em comum, e muitas crianças, que hoje escutam as mesmas histórias que eu tantas vezes ouvi.

Voltando à charge… Se parecia um sonho, esqueceram de me acordar. Zico existe e conversou comigo. Perguntado sobre o que acha de ser idolatrado por crianças que nasceram duas décadas depois que ele parou de jogar, foi preciso na resposta: “Isso é fruto do reconhecimento do trabalho. Independe da idade, já que os avós e pais, que tiveram a oportunidade de me ver jogar, falam para as crianças. Hoje, é fácil consultar, temos arquivos no google, no youtube. O máximo que os pais podem, é aumentar um pouquinho. Mas mentir, não. Ninguém engana criança.”

Nunca foi preciso ter visto para crer. Saudações rubro-negras!

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* Zico participou do quinto evento do Fla Nação Oficial, projeto criado por um grupo de torcedores com o objetivo de angariar fundos para investimentos no clube. Durante toda a ação, destinada a obter verba para a construção do campo de grama sintética do Ninho do Urubu, foram arrecadados R$ 232 mil, e 170 colaboradores tiveram a oportunidade de jogar no CFZ, ao lado de Zico, além de Adílio e Julio César Urigueller.

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